18 palavras dos últimos 5 versos · o ruído de cada instante decide o tamanho da linha; silêncio é linha vazia
a cidade está acordando…
A cidade conectada
sensorlugar da cidadecidade vizinharádio (estúdio)o vento traz o calor de
Captações · sensores
○ buscando dados reais…
lágrimasdigitais
André Teruya Eichemberg · 2003–2026
Lágrimas digitais é um projeto que capta informações digitais de sensores existentes na cidade e traduz tais sinais em palavras e sons gerando poemas visuais, sonoros e textuais.
Dessa forma compreendemos que toda a cidade está inteiramente conectada com informações que interagem entre si e conosco.
O projeto teve início no mestrado do autor em 2003 e finalizado agora em 2026 com as possibilidades tecnológicas das redes de informação.
os sensores e como cada palavra é criada
Semáforo: a cor do sinal escolhe o conectivo (todavia, enquanto…).
Direção do vento: de onde vem o vento escolhe o substantivo.
Velocidade do vento: vento lento, verbo lento; vento forte, verbo rápido.
Temperatura: do mais frio ao mais quente, escolhe o adjetivo.
Ruído das ruas: do silêncio ao barulho, escolhe onde ou como (no infinito, a plenos pulmões…).
Rádio: o vento gira o dial; quando acha uma estação, entra um eco na frase.
de onde vêm os dados
realvento e temperatura: dados meteorológicos atuais de Votuporanga e das 8 cidades vizinhas (Open-Meteo), atualizados a cada 10 minutos. A temperatura é a sensação térmica (calor, umidade e vento juntos). A tela anima pequenas oscilações em volta do valor medido.
realestações do ar e do céu: chuva, nuvens, índice UV e sol escolhem o conectivo e alongam o sinal vermelho; o risco de tempestade agita o vento; a pressão, a poeira (PM2.5) e a umidade mudam a recepção do rádio; o monóxido de carbono do tráfego e a chuva sobem o ruído. Qualidade do ar vem do modelo atmosférico CAMS.
realqualidade do ar (índice europeu, modelo CAMS): o ar edita o poema à mão. Ar bom põe vírgulas; moderado, ponto e vírgula, reticências, exclamação ou interrogação; ar ruim risca duas ou três palavras.
realmicrofone (opcional, no quadro do ruído): o ruído passa a ser o do lugar onde a obra está sendo vista. Nada é gravado.
realrádios: nomes e frequências das emissoras, marcadas no mapa perto de onde ficam. O ponteiro, empurrado pelo vento real, é poético.
estimadosemáforo e ruído: Votuporanga não publica dados de semáforos nem de decibéis. O ciclo do semáforo e o ruído são recriados pela hora do dia e corrigidos pelas estações reais acima.
como ler a tela
A cada 8 segundos os sensores leem a cidade e nasce um verso novo, no alto da tela.
Cada palavra tem a cor do sensor que a escolheu. No mapa você vê onde está cada sensor; nos quadros, o sinal ao vivo.
Poema maior guarda as últimas 5 linhas, e até o título dele nasce dos dados.
Ouvir a cidade transforma os sinais em som. Meu pulso põe o seu coração no ritmo. Compartilhar gera uma paleta de cores deste instante.
por quê
Lágrimas digitais expressa a natureza afetiva que algo digital pode ter, e que conecta toda a cidade. Cada um de nós já está inserido em redes invisíveis de dados do nosso cotidiano. É uma obra que experimenta nosso vínculo com a tecnologia, diante das angústias, dos espantos e dos encantos de um mundo aberto para todos nós.
♥ meu pulso
Coloque o dedo na câmera. Seu bpm se transforma em ritmo sonoro na cidade.
—bpm
Leitura artística, não é medição médica.
Gire o celular
Na horizontal, a cidade inteira cabe na tela: o verso, o mapa e as seis captações ao mesmo tempo.